terça-feira, 28 de abril de 2009

Manhê... eu quero...


Não! eu disse à você!
Não! eu não quero gritar.
Pare: deixe meu cérebro em paz...
Não! não agora, não o devore ainda não...
Eu ainda quero... Viver...
Pare!Pare!

O escuro... Rodando na minha mente, e o álcool que me falta para suprir...
Não, eu não quero ver meu corpo em chamas pela faísca que jogo em minhas escamas...
Não, eu não quero ver arder por ver mais uma faísca brotar...
Não.
!!!

Eu quero simplesmente berrar ao mundo...
Gritar o negrume que está dentro de mim..
Arranhar minha pele, e arrancar das pálpebras o que pesa e sufoca.
Simplesmente tirar a terra suja dos meus dedos.
Simplesmente cortar as unhas das mãos...

Terra. Terra... Terra.
Terra e sangue cobrem meu desdos.
Mas eu estou no escritório, no chão de mármore
e abaixo do teto coberto de gesso
Branco...
Eu estou numa caixa de pedra, de chão de mármore e teto de gesso....
Eu poso quebrar as paredes de concreto, mas não posso quebrar o teto,
Estou alta, muito alta. Há mais lugares acima daqui...
Mas eu não posso quebrar o teto
Eu sei, eu consigo. O concreto...Veja: há vidro, pedacinhos de vdro.
Eles brilham para o céu, brilham com o SOL.
Vejam: são lindos e iluminam a verdade que há no vermelho...
No Ferro do vermelho.
Na verdade do vermelho.
O vidro reflete, brilha ilumina, eu posso quebrar as paredes de concreto
Há vidros nela...
O vidros são averdade quando manchados de vermelho,
eu quero a verdade...
Não minta para mim...

Não eu não acredito!Não eu não vejo!Não ! eu não aceito!É uma grande mentira,

...

mas eu não posso descer pelo mármore, não eu também não posso escapar por aqui, não o marmore é frio e rigido; e opaco, não ele não brilha,
....

Mas as paredes de concreto...Há vidros na paredes de concretos, veja o céu...
Ele também , ele sim. Ele também clama por verdade... o vermelho traz a verdade
Quero a minha verdade
Quero o meu vermelho
Quero meu vermelho no vidro trazendo a verdade minha para mim
Quero quebrar as paredes de concreto onde há vidros para ver o meu vermelho nele e ter minha verdade para mim
Quero comtemplar o azul do céu e o macio das nuvens cheia da vida da verdade

Eu... quero... eu... quero... eu quero....

eu...

eu...

Manhê... eu quero...
mãããe
ManhêêêêÊ
mãããããããããããe
Mannnnnnnnnnnnnnnnhêêê
Mãe?
Ma...mãe...?
MAE?
MAE!!!!
MAAAANNNNHHHHÊÊÊÊÊÊE!!!


...




Mãe e filha

Meu amor...
Minha menina,
Nos amamos com a força do ódio dos ladrões.
Nos devoramos com a fome dos mortos.
Nos consumimos como as putas nos cabarés.
Carne do mesmo sangue e espinho do mesmo roseiral.
Cobras sem pele, sem casca,
Venenosas...
Sabedoras do veneno...
Entregues às mandibulas da outra por própria vontade
Eles nos avisaram, nos alertaram de que éramos destruidoras uma a outra
nada nos impedia de mais uma e outra vez nos aproximarmos
Nos enrolarmos
Nos cobrirmos
e mais uma vez
Nos mordermos
Nos envenenarmos
Sofrermos!!!
Amor e ódio !
Verdade, sincerade: discaradas!
Sem respeito, sem peito, sem pena, sem pó
O sangue da ponta da faca das línguas malditas
mal dissentes, mal faladas,
mal amadas!
Necessárias e necessitadas...
possessividades latentes em extremos iguais
Que se potencializam em proximadades diferentes
Olho, boca. Lingua, veneno,
carne, sangue, sobrancelha,
pele.
Mãos.
Minha... tua...
Apenas...
Mais uma
Mãe e filha.

terça-feira, 7 de abril de 2009

é só mais uma notícia, mais uma certeza do que aconteceu,
nunca imaginei,
e ela se foi
eu disse a ela o quanto a amava e eu disse que ela era perfeita, a melhor e mais maluca mãe do mundo, a perfeição no que ela poderia ser, as coisas mudam de cores e as cores continuam mudando as coisas.

É só mais uma linha de jornal, é apenas mais uma menina que se foi, é mais um corpo no fumeral, mas era a minha menina, a minha flor, a minha pequena, a mãezinha que eu não pude dar colo pelo bem dela, para que ela tivesse força de vencer, pois eu estaria do outro lado da rua para lhe apertar a mão.

Era a minha mãezinha, que ia para a morte e eu não estava ao lado dela. Era a minha princesa que estava lá esperando que eu estivesse ao lado dela, e eu não estava lá para sorrir e ralhar com ela por entre lágrimas e soluços..
Eu durmo em seu peito pela ultima vez, e sorrio e toco sua testa antes macia, a qual esteve em meus braços; eu não acredito que são seus lábios, eu não acredito que são seus seus olhos, eu não acredito que estou ao lado ...

" você lá dentro daquela caixa"

E as mãos tão frias e os dedos endurecidos, presos a minha mão.
Eu não acredito que estou ali, e que o preto cobre minhas vestes e envolve meu coração, eu não acredito nas pessoas que estão ao meu redor, eu não acredito na dor que eu sinto , eu quero gritar e não quero acreditar.

Eu quero gritar e eu quero sofrer e eu quero explodir e eu quero sofrer; ver verter lágrimas de dor e sangue; eu quero explorar minha alma e deitar minhas lágrimas para você; eu quero berrar ao mundo que o mundo levou a minha maezinha, que estava com medo e sozinha... eu... eu... eu quero dormir...
e você se foi e eu senti a agonia que pairava em meus ombros, eu a vi um mes antes, o baralho me procurou e me mostrou a Dama de espadas, eu não vi, ceguei-me, como falar o que só sei tentar sentir...
Não há o que dizer, só o que cantei na ultima vez que dormi com vc...
Eu amo você menina...