Meu amor...
Minha menina,
Nos amamos com a força do ódio dos ladrões.
Nos devoramos com a fome dos mortos.
Nos consumimos como as putas nos cabarés.
Carne do mesmo sangue e espinho do mesmo roseiral.
Cobras sem pele, sem casca,
Venenosas...
Sabedoras do veneno...
Entregues às mandibulas da outra por própria vontade
Eles nos avisaram, nos alertaram de que éramos destruidoras uma a outra
nada nos impedia de mais uma e outra vez nos aproximarmos
Nos enrolarmos
Nos cobrirmos
e mais uma vez
Nos mordermos
Nos envenenarmos
Sofrermos!!!
Amor e ódio !
Verdade, sincerade: discaradas!
Sem respeito, sem peito, sem pena, sem pó
O sangue da ponta da faca das línguas malditas
mal dissentes, mal faladas,
mal amadas!
Necessárias e necessitadas...
possessividades latentes em extremos iguais
Que se potencializam em proximadades diferentes
Olho, boca. Lingua, veneno,
carne, sangue, sobrancelha,
pele.
Mãos.
Minha... tua...
Apenas...
Mais uma
Mãe e filha.
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